Mercado e concorrência do etanol

Título: Mercado e concorrência do etanol

Autores: Elizabeth Farina, Paula Pereda, Claudia Viegas

Resumo: A produção e a distribuição de combustíveis têm sido, com mais ou menos intensidade, reguladas em todos os países do mundo. A disponibilidade de energia é estratégica para qualquer economia, e a dependência de recursos não renováveis representa desafios nada triviais à política pública.
As fontes renováveis, apesar da sazonalidade, da possibilidade de quebra de safras e da competição pela terra, ajudam a mitigar os problemas gerados pela dependência de combustíveis fósseis.
No Brasil, a produção de etanol se dá num mercado relativamente pulverizado. Nesse contexto, a pergunta que deve ser feita é: isso garante o adequado suprimento de etanol anidro? A resposta depende, em parte, da política adotada para os derivados de petróleo que, no caso brasileiro, depende da política de preços da Petrobras para os derivados. De qualquer maneira, como está demonstrado que o consumidor de etanol hidratado é mais sensível a preços que o consumidor de gasolina C, pode-se deduzir que, em termos de política pública para o etanol, a variável preço é suficiente para regular o mercado.
Em relação ao etanol anidro, a alteração na mistura obrigatória – entre 20% e 25% – tem sido uma forma eficiente de se reduzir a volatilidade de preços no mercado de gasolina C em momentos de escassez. Apenas quebras de safra que coloquem em risco o abastecimento de etanol anidro para compor a gasolina C justificam alterações na mistura. Essa política não deve ser usada para enfrentar variações sazonais, pois alterações injustificadas aumentam o risco do negócio e a sustentabilidade da produção de etanol.
Este artigo defende, entre ações prioritárias, o estabelecimento de critérios técnicos para o monitoramento do mercado com vistas a identificar quebras de safra e a ampliação da atuação de agentes de mercado que confiram maior liquidez ao mercado. De resto, aprimorar o funcionamento do mercado com o mínimo de intervenção é a forma mais eficiente de se dar incentivos corretos para a expansão sustentável da produção. Intervenções mais abrangentes podem ser requeridas, mas apenas na medida em que outros países adotem a mistura de etanol e importem, pelo menos parcialmente, a quantidade necessária para cumprir suas metas.

Livro: Etanol e Bioeletridade ? A Cana-de-Açúcar no Futuro da Matriz Energética.

Data de publicação: 2010

Periódico/Editora: Luc

Palavras-chave: etanol, estrutura de mercado, elasticidade-preço